segunda-feira, 15 de junho de 2015

Quanta água deveria estar na atmosfera para encher os oceanos no Dilúvio

Por falta de conhecimento de geometria (o brasileiro médiio é realmente fraco em matemática), muitas pessoas argumentam que não haveria água suficiente em uma camada da atmosfera para encher os oceanos.

Partindo da hipótese que ela estaria nas camadas mais superiores de nossa atmosfera, na forma de vapor d'água, vamos expor os cálculos geométricos para ver como esta quantidade de água poderia ser facilmente estocada.

Altura da atmosfera padrão = 20000 m
Volume de água dos oceanos = 1.2 E 9 m cúbicos

A altura da atmosfera é o Raio da esfera maior, e a altura onde começaria a camada de água (r) seria o raio da esfera menor, ptto:

E n = 10 elevado a n

1.2 E 9 = 4Pi/3 (20000^3 - r^3)

r = 19999,76

ou seja, apenas 24 cm de altura teria esta camada de água.

Mas considerando a água na forma de vapor de água a 100 %, e a densidade do ar úmido (15 graus) como 1,225 kg/m cúbico e da água 999,97 kg/m cúbico , o volume seria:

1.2 E 9 / (  1.225 / 999,97  ) = 9,78 E 11

Refazendo os cálculos:

9.78 E 11 = 4Pi/3 (20000^3 - r^3)

r = 19803, 50

ou seja, apenas 196,5 m de camada de ar úmido a partir do topo da atmosfera para conter toda a água q temos hj nos oceanos.

Portanto, não existe nada de contraditório em termos de volume de água prá provocar uma hecatombe hídrica em nosso planeta. A terra é uma esfera tão volumosa, q basta mesmo uma "casquinha" prá dar um grande volume de água.

Tudo calculado, tudo científico.

Podem refazer os cálculos (deixo por sua conta) com os 85 % desejado (0,85 * 1.225) ou com a umidade crítica de 50 %.

Verão q a altura necessária de umidade nunca excede a capacidade em altura da atmosfera q a terra dispõe.

Conclusão

Vejam que os argumentos de quem diz que este volume de água é de uma magnitude tal que as palavras da Bíblia seriam de pouco crédito devem ser classificados de simples ignorância aritmética.

Povo, Clã, Tribo e Nação

O instinto de sobrevivência

Não está sob nosso dominio o controle dos números demográficos. E entre os instintos humanos o do sexo por vezes ultrapassa o da sobrevivência, haja visto os casos de violação da pudícia feminina. O resultado é o crescimento inexorável da população, com consequente escassez dos recursos naturais.

Clã

Se uma família cresce, sob um nome de patriarca, é chamada Clã. Seus agregados por adoção e seus escravos não são da família, mas o são do clã. Os filhos dos filhos formam novas famílias. Se alguém entre eles forma um centro de influência, pelo seu volume de bens ou pela sua atuação guerreira, forma um novo clã, debaixo do nome deste elemento destacado.

E surgem vários clãs, pois o germe da multiplicação, se é animal, tanto mais humano, já que existem interesses em fortalecer o clã.

Tribo

Quando os inimigos apontam no horizonte, o que fazer ? “A união faz a força” é um ditado tão antigo quanto verdadeiro, mas digo mais: é fundamental para a sobrevivência e prosperidade. Os clãs se unem, e surge uma tribo que terá neste evento crítico a amálgama eficiente e duradoura.

Se o povo é só uma questão de número, a tribo é uma questão mais objetiva e organizada. Mas se resultante a esta união, as lembranças destes momentos de crise produzirem festas periódicas de comemoração da vitória ou da celebração de uma lei única, surge algo mais sério, que supera número, que supera eficiência e que supera união: os costumes, as tradições.

Nação

Unindo um povo através de uma lei, de costumes e tradições, temos como produto resultante a Nação. E se esta perdurar pelos tempos, com todas as dificuldades e transições políticas internas e externas, ela será lembrada, temida e invejada.

Vamos falar dos hebreus

Então o mundo pergunta:

“Por que sendo  o hebreu um povo tão  evoluído,  se deixou suplantar por povos muito anteriores à eles e,  mesmo, contemporâneos deles?”

Explorando esta pergunta, poderíamos discutir o mérito perguntando:

“Os hebreus se deixaram suplantar ?”

Da mesma forma poderíamos perguntar:

"Como os Romanos se deixaram dominar ?"

Os historiadores perguntam, assim como os professores de história aos seus alunos:

“Onde estão os Sumérios, os Assírios, os Persas, os Medas, os Gregos e os Romanos ?”

E o que domina os alunos é uma grande interrogação. O livro de História à sua frente canta odes e homenagens a estes povos como evoluídos tecnicamente, como prósperos, como água que se espalhou pela terra e que afogou povos em seu caminho.

Os sumérios, povo que se cogita ter tido conhecimento astronômico de cada planeta do sistema solar antes que houvesse sequer uma lente polida de vidro para se fazer um telescópio, onde está ? Está perpetuado nos livros de História e nas estatuetas pelos museus do mundo. E os poderosos Assírios ? A mesma coisa, apenas com uma mão de Saddam Hussein que lhes reconstruiu alguns portais. E gregos ? Bem, posso dizer que nós somos gregos até mais do que aqueles primeiros povos dos balcãs, só que os citadinos se perderam nos constantes conflitos nacionalistas, para se odiarem à menor dessemelhança que se apresente em suas línguas e costumes.

Lembremos então dos poderosos e legendários romanos, cujas legiões matavam mais do que tratores de ferro, e cuja cultura latina permeou toda a Europa. Estão reduzidos a alguns italianos e sua cultura é a corruptela católica de um politeísmo sem sentido. Todos os seus costumes de outrora se transformaram em um binômio: o Euro e o individualismo. Onde há individualismo, não existem costumes, e sim uma emulação de comportamento coletivo.

Os teimosos hebreus

Com a lupa da história vemos, a princípio um povo, que não se misturou com os outros, que não perdeu suas leis, que não perdeu suas tradições. Tão teimoso é este povo que cada conquistador teve que suportá-lo viver em seu próprio espaço, com suas próprias leis, porque este não se dobrava à cultura e ao mando do opressor. Hebreus. Povo difícil de manobrar, adorador de um deus único (que coisa sem graça para aqueles tempos) e, para piorar, de um deus invisível mais celebrado do que aqueles em que se conseguia tocar.

Este povo que se abroga ter o registro de seu nascimento e vida desde tempos imemoriais, e que por  esta e por outras razões atrai o ódio das nações, que não podem precisar com exatidão de onde vieram ou como se deu sua trajetória na história. Um povo cuja história é misturada com a de seu deus, sob cujo o cetro foram tomadas as decisões em momentos cruciais.

Será que se os Romanos tivessem se isolado cultural e geograficamente, teriam garantido a sobrevivência de seu império ?

Até o que se dizia milenar e poderoso império germânico, o III Reich, com toda a sua perversidade não conseguiu acabar com o povo hebreu. E hoje ainda se esconde por detrás de muitas famílias que trocaram seus nomes para não morrer nos aparelhos de tortura da inquisição.

E estes alemães, de que falamos, mesmo com o seu aparato militar volumoso, porque amargaram a derrota por duas vezes, nas guerras mundiais ?

Estado

Os Israelitas, sob o manto das doze tribos, pediram ao seu profeta Samuel que ungisse um Rei sobre eles. Desta forma, constituíram-se em um Estado, conservando a divisão em tribos. Este modelo, aperentemente mais organizado, foi a raiz de sua dispersão. Uma nação é mais forte, pois que está amalgamada pela Cultura e Religião, do que um Estado, unido apenas por uma constituição legal comum, em um território onde qualquer pessoa, oriunda de qualquer nação e qualquer cultura, pode entrar.

A prova disto foi a inevitável dissolução de todos os impérios. Tomando o exemplo romano, enquanto o Império Romano tinha consciência de seus valores oriundos da época de Rômulo e Remo, foi sempre vitorioso. Quando começou a misturar sua cultura com a dos bárbaros, perdeu sua identidade e entrou em decadência.

A cultura e a religião

Pelo tanto que se fala mal da religião, ela deveria mostrar seu caráter destruidor dentro de uma nação que a escolhe como base de seu governo. Mas tal não ocorreui com o exemplo dos hebreus, depois judeus. Foi a religião monoteísta que manteve os hebreus juntos, até os judeus de hoje, único povo que tem sua história registrada desde o início na Bíblia, para ódio de ateus e de anti-semitas.

Monoteísmo

Do judaísmo, cultural e religioso, saiu o Cristianismo e a Religião Muçulmana, sob a égide do Monoteísmo, único tipo de Religião não sensorial e polimórfica, desligando definitivamente o homem da relação biunívoca entre fenômeno e deus provedor e controlador deste fenômeno.

Povo hebreu, nação vitoriosa e eterna.

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Opinião do prof. Ruy B. Barbosa veiculada sob este pseudônimo no Youtube (ID=116583002871419115352)

Os Gigantes na Bíblia

Para discutir o assunto que trata dos gigantes, seja no que se refere à Bíblia, seja nos casos disponibilizados pela medicina, precisamos abordar o tema de forma científica.
No estudo desta parte do Gênesis eu resolvi consultar um médico, de forma que ele me desse uma visão real do que se sabe até hoje sobre o crescimento humano.

Nos cursos básicos das escolas dá-se ao aluno uma visão um pouco distorcida do crescimento, atribuindo-o à glandula Timo. O crescimento físico humano é realmente obra de um hormônio produzido pela porção anterior da Hipófise (nossa glândula mestra).

Energia e Crescimento ?

A tendência de todos os sistemas químicos é o equilíbrio, esta é uma lei da química. O Princípio que rege este axioma é o Princípio de LeChatelier. A tendência das células é a de ganhar volume e de se reproduzir. Isto acarreta o nosso crescimento. No entanto, nosso próprio crescimento começa a provocar o aumento das forças de oposição a este crescimento, expresso em reações químicas.

Durante os primeiros anos de vida, a Hipófise libera o hormônio de crescimento - GH - na corrente sanguínea. Este hormônio provoca o aumento da síntese proteica celular. Se as proteínas necessárias ao crescimento da célula são fabricadas a uma velocidade maior, é claro que a sua maturidade e consequente reprodução vão se dar mais cedo.

No entanto, com o aumento do volume corporal, e concomitantemente ao aumento da demanda por energia devido a este volume e ao aumento do gasto das reservas de gordura e glicose com as atividades laborais e sociais, a síntese proteica não mais pode se dedicar exclusivamente ao crescimento, mas à manutenção dos diversos sistemas e subsistemas do corpo avantajado.

Gordura e Glicose 

O que é desejável em um crescimento sadio é o consumo de gordura para produção de energia pelo corpo. A glicose, mais especificamente o glicogênio, é uma fonte rápida de energia. Parte da gordura (que não é consumida) se transforma em glicogênio para reserva. Um sinal desta distribuição são as espinhas nos jovens, devido à maior liberação de energia oriunda da gordura.

O hormônio do crescimento (GH) faz justamente isto. Ele aumenta a preferência pela gordura na produção de energia.

Quando o corpo enfrenta uma situação crítica em que precisa de energia imediata, como nas corridas e esforços musculares, ele dá preferência à glicose, pois a obtenção da mesma pela gordura é mais lenta.

Fim do crescimento em altura

Um erro de abordagem é crer que em determinado momento paramos de crescer. Isto se dá, principalmente, em termos ósseos. Nossos cabelos, orelhas, nariz, unhas continuam crescendo.

A cessação do crescimento em altura se dá quando as cartilagens entre os ossos "fecham" e param de se diferenciar em tecido ósseo. O próprio osso, quando quebrado, se funde novamente e produz os "calos" ósseos.

Podem haver Gigantes ?

Não devemos fazer da denominação Gigante um limite para o crescimento em altura do homem. A maior parte dos praticantes de basquete ganham alturas observáveis em qualquer clube que tenha praticantes desta modalidade de esporte. Qual é o limite ?

No Distrito Federal temos um garoto de 10 anos com dois metros de altura. Então alguém vai dizer que é uma disfunção. Mas disfunção é apenas um substantivo para algo que é totalmente possível, mas que ocorre raramente. Se ocorre algumas vezes, pertence ao rol de coisas possíveis de ocorrerem com o corpo humano.

Se um garoto de 10 anos com "disfunção" do crescimento, já tem 2 metros, a qual altura poderá chegar aos 18 ? O turco Sultan Kosen tem 2 metros e 51 centímetros de altura.

Conclusão

Não existe obrigatoriamente um limite para o crescimento humano em altura, a não ser os limites impostos pelas dimensões dos "itens utilitários do cotidiano". Veículos, cômodos, móveis e utensílios tem um tamanho médio que pode ser insuficiente ou incômodo para pessoas com características de gigantismo. O limite é a sociedade, e não o corpo humano.

Além de tudo isto, hoje, através da genética, você pode produzir embriões com alturas avantajadas facilmente. No entanto, se eles serão saudáveis e se vão ter uma expectativa de vida compatível com a nossa, é outra história.
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Opinião do prof. Ruy B. Barbosa veiculada sob este pseudônimo no Youtube (ID=116583002871419115352)

quinta-feira, 19 de março de 2015

A Sabedoria de Abraão

A análise do surgimento da agricultura entre os povos, antes até de falar dos hebreus é muito confusa, por culpa de vícios dos historiadores em suas narrativas. O que domina é a preguiça.

Estou aqui com o trabalho de um americano, que começa com aqueles tradicionais períodos "esquivos":

"Some archaeologists date the beginnings of agriculture in Palestine to the Mesolithic period, when the Natufian culture made its appearance with its bone and flint artifacts, some of which have survived to the present day."

Ou seja, hebreus para este autor se ligam à Palestina, obrigatoriamente. É o ledo erro de anos. Os hebreus tem sua origem na Mesopotâmia, notadamente ao sul desta, de onde veio Suméria e Babilônia. Eles não consideram as origens. Para eles os hebreus "brotaram da terra" palestina. De "crenças históricas" como esta é que partem as definições ortodoxas das origens dos povos e das invenções. Mas vamos prosseguir.

Vamos relembrar a frase "cantada" pelo judeu ao oferecer os primeiros frutos da terra, que entendo serem da agricultura, nos tempos de Abraão:

Deuteronômio 26:4

O sacerdote receberá o cesto de tua mão, e o colocará perante o altar do SENHOR, teu Deus.

Deuteronômio 26:5

"Então, solicitando a palavra, tu declararás em alta voz diante de Yahweh, teu Deus: ‘Meu pai era um arameu errante. Ele desceu ao Egito com um pequeno grupo de pessoas e ali viveu e tornou-se uma grande nação, poderosa e numerosa."

Esta trecho e o contexto nos dizem algumas coisas:

- Ao colher os frutos da terra, o hebreu devia levar sua oferta ao sacerdote;
- Abraão formou um grande povo no Egito antes de se estabelecer na Palestina;
- Abraão se tornou nação, ou seja, desenvolveu os rituais, língua e costumes próprios;
- Abraão e seu séquito deviam SEMPRE lembrar de suas origens. A citação constante de suas tradições garantia a tradição oral sólida;

Sobre a descida de Abraão de Ur para o Egito, o autor Joseph Smith 

(History of The Church of Jesus Christ of Latter-day Saints - 7 

volumes) cita que o patriarca levou o conhecimento de Matemática e 

Astronomia para os Egípcios.

Da mesma opinião é Nancy L. Calvert, PhD em seu trabalho para a 

Universidade de Sheffield (Abraham Traditions in Middle Jewish 

Literature).

O mesmo diz o historiador Artapanus (100 a.C.) e Brian M. Hauglid em 

seu trabalho "Abraham in Non-Biblical Traditions".

Abraão de Ur era um cidadão da chamada civilização Acádica. Os egípcios eram de descendência Camita, e se estabeleceram mais para o Sul da linha que corta o hoje Kuwait, não tendo contato com os povos mesopotâmicos senão quando das primeiras guerras com os Assírios, anos mais tarde. Isto corrobora o fato de que algo ou alguém serviu como fonte do conhecimento egípcio. A evidência clara de que Abraão esteve no Egito em condição privilegiada é a sua escrava Agar. Mas Agar não tinha origem escrava. Ela era uma princesa egípcia que abandonou os privilégios do Palácio do Faraó para servir a Sara. 

Segundo autores muçulmanos, ela seguiu a Abraão por este seguir o monoteísmo, o mesmo observado entre os Ismaelitas provenientes de seu ventre.

O nome Agar vem de "Ha-Agar", que quer dizer recompensa. Ela foi a recompensa de Faraó pela contribuição de Abraão à civilização Egípcia.

Portanto, os hebreus, oriundos de Abraão não eram toscos seres errantes e broncos, e sim uma nação com domínio de conhecimento suficiente para sobreviver tantos e tantos anos mudando de ambiente e de fontes de subsistência, até chegar aos dias de hoje e dar à humanidade a base da fé que irá salvá-la da destruição. Isto para quem tiver a humildade de aceitar.

Quanto às "extensas plantações de cereais", relembro o consórcio obrigatório entre o modo de vida nômade e semi-nômade ou também sedentário. Parte do clã se dedicava à cultura da terra, senão nós não teríamos Abraão fazendo oferta dos frutos da terra ao sacerdote.

Continuarei respondendo às perguntas, independente das disputas por quem está com a razão. Só peço que leiam e meditem sem ideias pré-concebidas e nem ceticismo cego. Se demorar, me perdoem.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Como os hebreus/judeus registraram sua história

Um hábito de tempos imemoriais

Os judeus já cultivavam o hábito de registrar as histórias de suas vidas. Até há pouco tempo (década de 1970) era um costume o registro do que acontecia nos dias das pessoas cultas em um diário. Com o surgimento dos celulares e das conversas on-line, o hábito da escrita, notadamente deste diário, perdeu su significado. Utiliza-se a agenda mais para organização do tempo.

Ainda como povo hebreu (filhos de Éber, este neto de Noé) e também o povo semita, destinado a lidar, conforme profecia de Noé, com os assuntos espirituais da vida, este povo fazia registros cuidadosos, tarefa a cargo de escribas, sacerdotes (levitas), profetas, reis e poetas.

Os manuscritos

Como estas histórias, tanto pessoais das famílias importantes quanto da nação por inteiro, tinham muito valor para eles, várias cópias destes manuscritos originais eram feitas, para evitar a perda das tradiçções, passando de geração a geração. Com o passar do tempo, todos estes registros foram reunidos no templo, a cargo dos levitas, formando coleções chamadas:


  • A Lei;
  • Os profetas;
  • As escrituras;


Jesus, em seus discursos, utilizou a expressão "a Lei e os Profetas".

A Lei continha o chamado Pentateuco (5 primeiros livros da Bíblia). Os profetas reuniam Isaías, Jeremias, Ezequiel, doze profetas menos conhecidos, Josué, Juízes, Samuel e Reis. As escrituras reuniam os demais livros.

O meio de escrita

A escrita era feita sobre pergaminhos de peles de animais secas ao sol. Este animal era, como determina a lei judaica, um animal limpo, sem mácula, sem defeito, geralmente uma cabra ou cabrito, vindo de um sacrifício onde não fosse exigida a queima completa do mesmo.. O couro era curtido tal como se faz hoje, e a superfície que ia receber a tinta raspada cuidadosamente. Este era um trabalho a mais que os membros da tribo de Levi tinham em seu dia a dia.

A tinta

A tinta era obtida a partir da fervura de óleos, alcatrão (betume encontrado em poços que afloravam na superfície do deserto) e cera, coletando-se os vapores. Acrescenta-se o pigmento que vai dar a cor, como o carvão para o preto. Para armazenar, acrescentava-se seiva de árvores e mel. Antes de usar, esta tinta era misturada com suco de nozes do carvalho e resina.

A pena

A pena para escrever era uma pena de alguma ave ou um caniço fino de junco no qual se dava um corte diagonal em uma das pontas. Não era permitido utilizar uma pena de ferro, ja que este metal se destinava ao fabrico de armas, pois ensino não combina com guerra no conceito judaico.

O ritual de escrita

O escriba não se assentava diante do pergaminho e simplesmente começava um texto ou uma cópia.

Os escribas contavam cada letra e cada palavra no processo de cópia. Se errassem uma só letra, na cópia, destruiam tudo o que estava escrito nesta cópia raspando o pergaminho.

Cada cópia era feita a partir de um pergaminho autêntico. Antes de escrever uma palavra, o escriba a pronunciava em vol alta. Antes de escrever o sagrado nome de Deus (Jeová ou Iavé) eles deviam banhar todo o corpo, e a escrita deste nome era feita com a pena de ouro.

O Calendário Gezer

A escrita era exercitada em tabletes de barro, depois endurecidos com sua secagem. Um dos exercícios de escrita mais comuns, dados aos meninos era o Calendário de Gezer. Em meses do tempo do Oriente médio eles anotavam os meses dos plantios ecolheitas:

Os dois meses são a colheita de azeitonas - Set/Out
Os dois meses são o plantio de cereais - Nov/Dez
Os dois meses são o plantio tardio - Jan/Fev
O mes é a sega do linho - Março
O mes é a sega da cevada - Abril
O mes é a colheita e as festas - Maio
Os dois meses são de cuidar das vinhas - Jun/Jul
O mes é das frutas de verão - Agosto

Lembre-se que estes meses se referem às estações do oriente, e não do Brasil.

Os Escribas

No período de vida de Esdras, a função dos Escribas ficou mais clara. A unidade da nação dependia da reverência às Leis e Mandamentos, para resistir à influência do meio social circundante. Estes se encarregavam de copiar os manuscritos hebreus pois, com o tempo, os existentes ficavam com a sua nitidez comprometida. O copista era uma profissão em Israel.

Datação da Torah

Segundo o Livro "Dating Old Testament" de Craig Davis, a data de início da escrita do Torah remonta os tempos da primeira geração que viveu durante o Êxodo Bíblico. Referências:

Êxodo 24:4-8
Êxodo 34:27
Números 33:2

Nestes versos Deus relembra a Moisés que registre por escrito os eventos.

Conclusão

Os hebreus, posteriormente judeus na religião, tinham extrema reverência para com a palavra escrita de Deus.

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Bibliografia:
A Palestina nos tempos de Jesus - Christiane Saulnier e Bernard Rolland
Dating Old Testament - Craig Davis
História dos Judeus - Flavius Josephus
História dos Judeus - Paul Johnson
New Manners and Customs of Bible Times - Ralph Gower

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Psicologia das massas no Êxodo

Um texto pode ser interpretado pelos Fatos expressos em seu Conteúdo, pela Ótica do seu Autor ou pela Intenção de seu Inspirador.

Autor nenhum se auto-inspira. Somente quando o seu cérebro primitivo ( que capta uma emoção que transparece no Fato) é ativado por algo que chega ao seu conhecimento é que ele reage pelo ato da escrita.

Êxodo 32

No texto bíblico do Êxodo, em seu capítulo 32, é narrada a crônica do Bezerro de Ouro.

Moisés, o grande legislador hebreu, sobe ao monte, para ter um encontro com Deus, enquanto o povo o aguarda na planície.

Precedentes

O povo Israelita havia praticamente acabado de atravessar o mar, e visto Deus livrá-los dos seus perseguidores egípcios. Em sua memória deveria estar gravada os eventos da noite em que Deus matou os primogênitos de todo o país do Egito. Portanto, havia precedentes espirituais de apoio para crerem em Deus e a Ele deverem fidelidade.

Mas não houve só isto. Houve um compromisso verbal expresso em Êxodo 24:3 :

"Todas as palavras que o Senhor tem falado, faremos"

Eles não falaram:

Quase todas as palavras que o Senhor tem falado, faremos;
Todas as palavras que o Senhor tem falado, talvez faremos;
Todas as palavras que o Senhor tem falado, tentaremos fazer;
Todas as palavras que o Senhor tem falado, faremos se pudermos;


Quando os povos do passado proferiam seus juramentos, eles os cumpriam, sem precisar de documento, assinatura, carimbo ou registro em cartório.

Os fenômenos das massas

1º estágio: Falta de Paciência

"Mas vendo o povo que Moisés tardava em descer do monte" (Êxodo 32:1)

A Paciência é uma virtude, e exige tenacidade e confiança para a Espera. O povo hebreu, mesmo tendo os precedentes por nós citados, não aguentou esperar. Hoje, este fator está excessivamente pronunciado nas pessoas. Ninguém aguenta esperar nem um minuto que seja. Estamos dominados pelo imediatismo. E aquele povo estava desta forma, ou talvez pior, por estar em meio ao deserto, sem vislumbrar as belas paisagens do Egito, e principalmente da fulgurosa paisagem da terra de Goshen no delta do Nilo.

A falta de paciência com algo que provavelmente ocorreria hora ou outra (a volta de Moisés) se chama Ansiedade.

2º estágio: Intimidar o líder

"o povo ... acercou-se de Arão" (Êxodo 32:1)

Em pelo menos um aspecto o povo fez o correto: foi ao líder. Retirado temporariamente Moisés, o próximo na linha de Autoridade era Arão, seu irmão. Mas quando se vai ao líder, pode-se estar preparado para obedecê-lo, ou para desafiá-lo. Cercar Arão, utilizando-se de várias pessoas, é um claro ato de pressão psicológica.

3º estágio: Introduzir a dúvida

"porque quanto a este Moisés, o homem que nos tirou da terra do Egito, não sabemos o que lhe sucedeu "(Êxodo 32:1)

Dizer que não sabiam o que era feito de Moisés era apenas um pretexto, uma justificativa, para colocarem em dúvida a liderança de Moisés. Estando ausente, o que significava a sua Autoridade agora ? Esta foi a mesma técnica da serpente no Jardim do Éden, ou seja, introduzir a dúvida. Por isto a fidelidade aos líderes é necessária, pois ela substitui, com eficácia, a ausência física desta Autoridade.

Havia também a confissão de culpa na frase "o homem que nos tirou da terra do Egito". Ora, eles tinham bastante consciência do débito para com Moisés. Ou será que era uma ironia por este tê-los tirado da tal terra onde comiam com relativa fartura (como vão dizer em suas murmurações nos capítulos mais a frente) ?

4º estágio: Querer fazer as coisas do seu jeito

"Levanta-te, faze-nos deuses, que vão adiante de nós" (Êxodo 32:1)

Vejam bem, como é que você chega para um líder e dá uma ordem "Levanta-te ...". Isto demonstra a falta de noção de submissão à autoridade. E, em seguida, já vem o Jeito das Massas "faze-nos deuses". Eles definiram o que Arão deveria fazer.

5º estágio: Dar corda para o povo se enforcar e se manter no poder

E Arão lhes disse: Arrancai os pendentes de ouro, que estão nas orelhas de vossas mulheres, e de vossos filhos, e de vossas filhas, e trazei-mos. (Êxodo 32:2)

Uma vez intimidado, Arão não tem outra alternativa a não ser fazer o que a multidão quer, pois fazendo, pelo menos ele ganha tempo, para em um momento posterior poder anular a ação ou punir o povo. Eles precisavam encarar as consequências de seu ato. Se ele negasse, poderia ser morto, e não teria esta chance depois. As vezes o líder precisa ceder, no momento da loucura de seus liderados. Se ele fosse morto, um outro, sem nenhum compromisso com Deus, poderia assumir de vez as massas, e até tirá-los para longe dali.

6º estágio: Dar uma chance de desistência

Amanhã será festa ao Senhor (Êxodo 32:5)

Já devia ser tarde, pois no verso posterior é dito "E no dia seguinte madrugaram". A festa não podia começar naquele mesmo dia, não ? Poderia, mas Arão lhes deu a noite para pensar. Mas a massa de hebreus estava tão ansiosa para pecar, que acordou cedo para fazê-lo.

7º estágio: Tumulto

O povo, para se esbaldar e fazer sua própria vontade, chegou a se desnudar, numa clara intenção de obter o prazer junto ao culto moldado ao desejo de seu coração. Se fosse um real culto a um deus, por que a necessidade de tirar as roupas ? Porque isto a que eles chamaram culto era mais uma festa de exaltação da carne, ou seja, um carnaval.

8º estágio: Punição

Deus providencia a punição dos perversos:

Assim feriu o Senhor o povo, por ter sido feito o bezerro que Arão tinha formado. (Êxodo 32:35)

Conclusão

Assim como acontece nas manifestações públicas, ocorreu no episódio do Bezerro de Ouro (coisa ilícita). As massas começam até com boas intenções. Mas então entra a crença de que a bagunça (Bezerro de Ouro) é mais eficaz. O líder desafiado é o Estado, e a punição é a repressão policial.

Liderança envolve Fé. O líder não tem poder em si. Seu poder está na crença daqueles que se submetem a ele, pois creem que ele vai conduzí-los pelo melhor caminho. E o melhor caminho não é aquele isento de tropeços, mas o que vai produzir resultados eficazes em relação às suas aspirações.







segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Introdução ao quarto Evangelho - O Evangelho de João

A introdução do Evangelho de João é enigmática, mas descobriremos, neste artigo, que ela é coerente com o tempo histórico-filosófico da Grécia, e com o pensamento que permeava a mente daqueles povos.

Procure entender este contexto complexo. O mundo era politicamente romano, filosoficamente greco-romano, de língua greco-latina. Jesus pregou Sua palavra em um nicho judaico, entre judeus que falavam também o grego, em um dialeto do aramaico (siríaco), para seus 12 discípulos judeus.

Na Internet já lemos informações que confundem os conceitos e geram uma legião de confusos. Coisas como: "O único discípulo judeu era Judas (por causa do nome)". A própria Bíblia esclarece que "a Salvação vem dos judeus", ou seja, a revelação de Jesus seria PRIMEIRAMENTE pregada para os judeus. Para entender também a aliança de Jesus com os homens, os discípulos precisariam ser instruídos no Torah (5 primeiros livros do velho testamento mais algumas leituras para festas e feriados, sejam profetas, sejam crônicas). Ou seja, os discípulos teriam que ter uma preparação conceitual para conversar com o Filho de Deus.

Império Romano

Jesus nasceu durante o domínio do Império Romano, mas não era considerado como tal. O apóstolo Paulo conseguiu cidadania Romana. De Jesus nada se fala. Os judeus nascidos no império romano eram, primeiramente judeus. Eles odiavam o império romano e não queriam se misturar com ele.

Os romanos eram bons nas armas, porém não tinham base filosófica. O arcabouço filosófico do império era dado pelo pensamento grego, mas Jesus não a utilizou em seus discursos. Prestem BASTANTE ATENÇÃO. Se o discurso de algum evangelho ou epístola cita valores GREGOS, isto não ocorre por Jesus ter citado, e sim para fazer comparações com os valores que os gregos entendiam, bem como os romanos sob influência grega. Se você está explicando química para cozinheiros, precisa fazer analogias com coisas que os cozinheiros já estejam acostumados.

Jesus cita muitas comparações de coisas da fé com pesca, porque o seu público tinha muitos pescadores. É preciso usar o discurso com sabedoria.

Heresias

Devido à má leitura e à interpretação apressada, imediatista e sem pesquisa desta geração do início do século XXI, existem falsos estudiosos confundindo Jesus com algum profeta grego ou algum profeta romano, ou com um mito grego ou mito romano. Tem também uma espécie peçonhenta de judeus que se denominam MESSIÂNICOS, mas que realmente são "sinagoga de Satanás" (como reza o Apocalipse, para nos avisar), que dizem que Jesus não era judeu porque o nome Jesus é grego. Isto é fruto da lógica concreta que Piaget descreve em seu trabalho, e que se manifesta entre 7 e 9 anos de idade nas crianças. Chegam ao cúmulo de falar que Jesus não é o Messias pois a letra "J" não existe em hebraico. Este argumento é muito infantil e assusta quem tem um pouco de inteligência. Mas para inventar heresias, basta uma hipótese, uma meia verdade, e está concebida a blasfêmia.

A situação dos judeus era de nacionalidade e religião garantidas por decretos romanos, para evitar rebeliões. O que os romanos queriam era o pagamento de impostos. Eles pouco se incomodavam se os judeus adoravam a Javé, Jeová, Alá ou Baal. Só não queriam rebeliões. Os filhos de mães judias eram judeus, e nunca romanos ou gregos. Portanto, Jesus não era nem um e nem outro. Ele era judeu.

Algo semelhante ocorre com o povo basco e com os curdos. O país Basco não é independente, e sua fronteira é delimitada até a região onde exista um basco no norte da Espanha. Quem nasce lá é considerado basco pelo povo local. Os espanhóis, no entanto, exigem que eles portem documentos espanhóis, mas eles estão pouco se lixando para seus opressores. Quando nasce alguém neste povo, ele é considerado basco, e não espanhol.

O Logos e o Verbo

O evangelho de João apresenta aos leitores da época, gregos e judeus que falavam grego, o princípio para se entender Jesus. Ele cita o "Logos" (palavra, estudo, tratado). Ele começa o seu evangelho com a expressão: "No princípio era o Logos (palavra/verbo)."

A introdução já apresenta um conceito muito comum entre os gregos na época, e que se espalhou no meio dos romanos, que tomaram emprestado o pensamento grego, por não terem nenhuma raiz filosófica forte o suficiente para resistir ao pensamento grego.

Mas o autor do evangelho é mesmo um profissional de Comunicação e um eficiente Relações Públicas, pois a expressão "No princípio ..." tentava harmonizar o discurso em grego ao discurso hebraico do "Bereshit" (no princípio/em princípio). Esta "fórmula" era mágica para o ouvido dos judeus.

Desta forma, judeus que rezavam em hebraico e judeus que falavam grego entenderiam a mensagem, pois foi construída para todos os públicos almejados.

Nesta época, os judeus se recusavam a falar o latim. Falar a língua do dominador é admitir e se curvar a ele, e os judeus, por sua tendência nacionalista e exclusivista, para preservar a sua cultura, não fariam isto. Mas e o grego ? Grego era uma língua aceita no império e era propriedade de outros dominados, como eles.

Este "Logos" (a palavra, o discurso) estava, no princípio, com Deus. Então, João vai ao extremo de dizer que o Verbo (Logos) era Deus. Ou seja, o princípio, a mola propulsora, a razão por detrás de tudo era este Deus de quem João está falando.

Ao dizer em João 1:2 que "Ele estava no princípio com Deus", fala-se do "Verbo" na intenção clara de personificá-lo. Passando o "Verbo/Logo" para a pessoa de Jesus, um grego, pensando internamente na língua grega, e um romano pensando também em grego, entenderiam este discurso, digamos, codificado em linguagem religiosa.

O objetivo era ser entendido, e não falar somente a mensagem do evangelho. Era preciso estabelecer um paralelismo filosófico da mensagem com a língua dominante. Vamos deixar claro, para que ninguém estabeleça uma nova heresia, que o escritor não estava pregando filosofia grega, e nem um novo deus grego, e sim utilizando os protocolos verbais necessários para se fazer entender.

Falsas interpretações

Alguns falsos letrados inventarão que Jesus era um deus grego. Outros fantasiarão um deus romano. E o pior que isto já aconteceu em nossos tempos, entre os judeus messiânicos. Lamentável. Fazer isto é confundir a língua com a origem da entidade descrita por esta língua. Será que se Jesus fosse apresentado aos indianos em língua indiana, estaríamos obrigatoriamente criando um deus Hindu ?

Estes enganos são gerados pelo engano da pessoa utilizar o tipo de raciocínio descrito pelo grande teórico e também experimentador de didática, o suiço Jean Piaget. Se entre os 7 e 9 anos, a criança não sofrer uma intervenção de um orientador para corrigir sua tendência aos concretos, sem entender as metáforas, os prejuízos se farão sentir em toda a sua vida.

Que fez todas as coisas

No verso 3 deste capítulo 1 de João é dito que:

"Todas as coisas foram feitas por meio dele ..."

Ou seja, por meio da Palavra todas as coisas foram feitas, era a mensagem compreensível para os judeus. Existe até um ditado entre eles que diz: "Deus fez o mundo através das letras hebraicas. " Por meio do Logos, palavra utilizada no grego, a mensagem seria igualmente compreendida pelos gregos. Judeus que ouviam a mensagem em grego traduziam em suas mentes o "Logos" para a sua ideia de Palavra, Verbo, além de reconhecer em suas mentes a estrutura do "Bereshit barah Elohyim" do Gênesis em hebraico..

Esta introdução que estamos fazendo é uma prevenção contra confusões de ideias de nacionalidade, de língua e de conceitos cristãos associados ao nascimento da pregação cristã.

A luz

Ao falara da Luz, João quer lembrar o primeiro ato verbal de Deus no Gênesis 1:3, ou seja, o "Haja luz".

Existe, portanto, um perfeito paralelo entre o início do Evangelho de João e o início de Gênesis 1. Tudo isto para o reconhecimento do evangelho pelos judeus. Um judeu esclarecido deveria perceber a intenção deste discurso.

Mas, e os gregos ? Eles não tinham iniciação na Torah judaica, a que chamamos de Pentateuco (mas que possui outros trechos das escrituras também). Como entenderiam esta introdução do evangelho ?

Ao escrever o evangelho, o autor tomou o cuidado de adequar o conteúdo à leitura pelos gregos que viveram nos três primeiros séculos depois de Cristo. Nesta época, já começava a surgir uma heresia, de nome

Gnosticismo

O gnosticismo foi uma tentativa de combinar o DUALISMO com o Cristianismo. É claro que os gregos tentariam fazê-lo, para harmonizar a nova doutrina com os princípios filosóficos que já dominavam, pois não estavam totalmente prontos para absorver o significado mais puro do Cristianismo, por ser este uma verdade espiritual, e não filosófica. Veremos mais a frente o significado desta diferença.

O DUALISMO postula a doutrina de dois princípios eternos do BEM e do MAL; consequentemente, dois domínios não criados da LUZ e das TREVAS, de imaculada pureza mas de essência corrompida. Um é o domínio da pura espiritualidade (LUZ), na cabeça do qual estava Deus mesmo; o outro o domínio da matéria, escura, caótica e má.

Por isto o verso 1:5 de João diz:

"A Luz resplandeceu nas trevas, e as trevas não prevaleceram sobre ela."

Constatem com a sua razão o DUALISMO. Por causa do gnosticismo, João teve o cuidado de esclarecer a oposição, e seu real significado cristão.

Conclusão

Vejam, é só a análise do trecho inicial de João, e vejam a quantidade de coisas envolvidas. Bíblia é assunto sério, e não pode ser encarado de forma precipitada.