Por que Tarde, e não Noite ?
O livro do Gênesis
é o pilar da Bíblia. Sendo ele a narrativa das origens do Universo
(e não somente da Terra), é como se fosse a introdução de um
romance, de uma epopeia. Se tirarmos o Gênesis da Bíblia,
derrubamos toda a Infraestrutura da fé judaico-cristã.
Narrado em hebraico,
este livro feito para judeus tem a forma de narrativa apenas
compreendida, em sua inteireza, por judeus. Se um cristão deseja
professar e seguir a fé em Jesus, terá que reconhecer Este último
como fruto de uma promessa de profecia da fé judaica. Ele é o
Messias prometido. As interpretações bíblicas de um cristão devem
seguir, quando analisam eventos do Velho Testamento, o pensamento
judaico, e nunca o tipo de pensamento moderno, afastado em mais de
6000 anos dos eventos que cercaram o início do trabalho das
narrativas bíblicas (não confunda com o início da história
humana).
Ao final do verso
1:5 do Gênesis, ao marcar o fim do primeiro dia, o cronista hebreu
diz, segundo o texto hebraico:
“E ocorreu o
entardecer e ocorreu a manhã, o primeiro dia”.
Por que o cronista
não diz”
“E ocorreu a noite
e ocorreu a manhã, o primeiro dia” ?
Universo em mutação
Vamos conhecer as
condições do planeta Terra, segundo a própria Bíblia, naqueles
tempos. Algo que você deve ter SEMPRE em mente, quanto aos eventos
passados é:
NÃO PODEMOS NOS
BASEAR NAS COISAS PRESENTES PARA AFIRMAR ISSO OU AQUILO A RESPEITO DO
PASSADO.
Isto quer dizer, por
exemplo, que se hoje temos uma atmosfera com a composição avaliada
pelas medições de hoje, não quer dizer que a atmosfera era a mesma
nos tempos bíblicos. Se hoje temos uma espécie animal, não quer
dizer que ela existia naquele tempo passado. Se temos alguma
evidência registrada em forma escrita ou na tradição verbal, de
espécies animais exóticas, ou de fenômenos que hoje não mais
existem, não podemos ignorar e dizer que tais animais ou tais
fenômenos nunca ocorreram. Se hoje temos um campo magnético com
determinada magnitude, não quer dizer que no passado ele tinha a
mesma magnitude e não podemos afirmar sequer que ele existia
obrigatoriamente naquele tempo passado.
Se há uma lei
predominante em nosso Universo, esta lei é: “Tudo se altera com
o tempo, para mais ou para menos”. A Terra não tinha a
conformação que temos hoje. Os planetas estão se afastando do
centro de nossa galáxia. Será que a velocidade da Luz foi sempre a
mesma ? Será que a Terra sempre teve um campo magnético ? Será que
a camada de ozônio sempre existiu ? Será que a concentração de
ozônio sempre foi a mesma ?
Se não tivermos a
mente aberta, não cumpriremos a nossa vocação de seres racionais,
com capacidade investigativa. O mundo de hoje não é o mesmo de 10
mil anos atrás.
Explorando
nosso problema
Voltemos ao nosso
questionamento. Por que o cronista bíblico diz:
“E ocorreu o
entardecer e ocorreu a manhã, o primeiro dia”
Vamos procurar a
resposta, com muita atenção, na própria escritura, no ponto onde é
feita a narrativa da Criação do Universo e da Terra:
E
fez Deus a expansão, e fez separação entre as águas que estavam
debaixo da expansão e as águas
que estavam sobre a expansão;
e assim foi.
Gênesis
1:7
Esta expansão
é aquilo que entendemos hoje como a atmosfera, dividida, para fins
didáticos e científicos nas conhecidas camadas: troposfera,
estratosfera, mesosfera, termosfera e exosfera. Ela é que protege a
superfície terrestre e os seres que nela vivem das condições
adversas do espaço, povoado por raios gama do sol, meteoros,
meteoritos e outros tipos de emissão radioativas e corpos celestes
errantes.
Como dissemos, não
podemos encarar a atmosfera de milênios atrás, antes do dilúvio,
com a atmosfera de hoje. Vejam uma referência direta à esta água
acima da “expansão”, em Gênesis 7:11:
No
ano seiscentos da vida de Noé, no mês segundo, aos dezessete dias
do mês, naquele mesmo dia se romperam todas as fontes do grande
abismo, e
as janelas dos céus se abriram,
Gênesis
7:11
A expressão
metafórica “e as janelas dos céus se abriram”
denota um evento catastrófico que se abateu sobre a terra, a ponto
de provocar uma chuva contínua de 40 dias e 40 noites sobre a Terra.
Uma simples chuva de 105 mm em cidades como São Paulo e Rio de
Janeiro, em nosso Brasil, durante um dia inteiro, provoca os efeitos
devastadores já conhecidos, enchendo os rios, inundando casas,
levando os veículos como se fossem feitos de plástico e chegam a
atingir e até ultrapassar o nível das janelas em quase a sua
inteireza.
Mas preste a
atenção, e procure estabelecer as diferenças entre o Dilúvio e
uma chuva nas condições de hoje. Não se menciona nuvens. Se
existissem, seriam nomeadas, já que sendo elas comuns à nossa vida
presente, já teriam nome na língua do cronista. O que é muito
comum sempre já é apontado por um nome. Ele fala de árvores, dias,
aves, répteis, gado (não fala animais, mas já cita uma categoria
específica), mas não fala “as nuvens se ajuntaram em aspecto
ameaçador, prenunciando chuva mais forte do que o normal”. Não
houve uma preparação.
Fórmula do Volume da “Casca” da esfera
V = 4/3*Π*h*(h2
+ 3*Rterra2/h)
Onde
h é a altura da “casca” e Rterra
é o raio do
planeta.
Quanto teria
chovido ?
Se você conhece um
pouco de geometria, eu proponho um cálculo simples. Apesar da terra
não ser exatamente esférica, calcule o volume total de água
contido em uma fina camada de apenas 10 cm de uma “casca” em
torno do nosso planeta. O volume de água de uma casca de apenas 10
cm de espessura na altura das nuvens (4 km ou 4000 m de altura)
perfaz:
1700214900000000
m3
O volume total de
nossos oceanos é de:
1332000000000000 m3
Ou seja, o volume de
uma fina camada de 10 cm de espessura de nuvens completamente
líquidas seria de:
1700214900000000/1332000000000000*100
= 127,64
%
isto
significa
que a nossa fina camada de nuvens, quase desprezível, representaria
mais
do que o
volume dos oceanos (ultrapassaria
em 27% o volume dos oceanos),
suficiente para cobrir os montes, como narrado na Bíblia:
|Gênesis
7:19|Prevaleceram
as águas excessivamente sobre a terra e cobriram todos os altos
montes que havia debaixo do céu.
Para
você que ficou embasbacado, perplexo com este cálculo, isto se deve
ao fato de que os volumes crescem em proporção cúbica. Uma esfera,
mesmo pequena, pode conter litros de água em seu interior. Imagine a
terra, com seu raio de 6371 km ou 6371000 m.
Vejam
bem; apenas uma finíssima camada de 10 cm de água. Mas a espessura,
em forma de nuvens, que se constituem de vapor de água, é
muito maior em virtude da densidade do vapor de água dentro destas
nuvens. A nuvem de chuva tem 0,5 gramas de água por metro cúbico, o
que nos leva à conclusão de que o
volume de vapor seria de 1000 litros (decímetros cúbicos) por 0,5
gramas, ou seja, 2000 litros por grama, ou 2 m3
(2000
dm3)
por
grama de vapor.
Se
1 litro de água (e não vapor) pesa 1 Kg, ou seja, 1000 gramas, uma
grama de água corresponde a 0,001 litros ou 0,001 dm3
(decímetros cúbicos), ou 0,000001 m3//g.
Como
a densidade do vapor é a metade disto, em milésimos (são precisos
2 m3
de vapor para perfazer 1 g), ainda dividimos este número por 2000
(0,000001/2000 = 0,0000000005). Ou
seja, O
volume que achamos deveria ser multiplicado por este número. Como as
dimensões de volume variam na razão da razão da raiz cúbica do
volume, grosseiramente, poderíamos ter uma altura de nuvem usando o
multiplicador 0,0000000005^1/3 = 0,0007937,
ou seja, a camada de 10 cm de água representaria uma camada de nuvem
de aproximadamente 12600 cm, ou 126 m de altura.
Uma
nuvem do tipo cumulus nimbus (de chuva) pode ter incríveis 29000
metros. Não estamos dizendo que ela fica a 29000 do solo, e sim que
sua altura, da base até o topo, pode ter 29 km. E isto devido à
baixíssima densidade de água em seu interior. Portanto, nossas
estimativas foram bem abaixo do real. A chuva que caiu sobre a terra,
no dilúvio, foi estrondosamente maior do que a nossa suposição
(acima dos 27% do volume de água dos oceanos).
Se
achamos, em nosso cálculos ingênuos, uma altura de 126 metros, e o
valor real fosse de 10000 metros (por baixo), a espessura
proporcional, em termos de água, daquela camada a 4000 metros de
altura do solo, deveria ser (10000/126) vezes maior, ou seja, 10cm x
10000/126 = 793,65 cm = 7,9365 metros.
Portanto,
deveríamos considerar uma camada de água de quase 8 metros de
altura, e ainda seria uma estimativa abaixo do que realmente foi.
Usando
as propriedades de volume, e considerando que uma dimensão aumentou
em 79,365 vezes, o volume deveria aumentar em 79,365^3, ou seja,
499,9 vezes:
1700214900000000
m3
x
499,9
=
849937420000000000 m3
E
a razão para o volume dos oceanos seria de:
849937420000000000/
1332000000000000*100
=
638,09 %
Nossas
estimativas nos levam a
crer que o volume de água do dilúvio foi de 6 vezes o volume dos
oceanos terrestres, usando o volume da conformação atual do nosso
planeta. Isto por estimativas abaixo do real. O volume foi bem maior,
pois subestimamos a altura total das nuvens do cúmulus nimbus.
Se
desejar, refaça os cálculos com a verdadeira altura de 29000
metros, com a fórmula
Conclusão
Esta
camada de, pelo menos, 7 metros de água (7* 10000/126
=
555,56
metros
de
vapor em estimativas por baixo) protegia e provocava a dispersão da
luz do sol por todo o planeta, fazendo com que, mesmo com o sol do
lado oposto à região onde o homem vivia, seus raios chegassem, por
reflexão total ou difração, iluminando de forma tênue a noite
daqueles primeiros homens.
Hoje,
temos apenas camadas de ar nos protegendo na atmosfera, e não mais
um vapor de água de quase meio quilômetro (em estimativas
subdimensionadas), como no passado.